quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Vênus




Que Machado houvesse, nas suas Memórias Póstumas de Brás Cubas, não se admirado dos prováveis cinco leitores é coisa que consterna. Entretanto, o que admira e consterna é que, neste ano do centenário de morte do bruxo do Cosme Velho (neste machadiANO, com minhas desculpas pelo trocadilho imbecil!), esse meu poe-post possa vir a ter mais do que cinco fiéis leitores.



Assim como Bentinho, o Casmurro, escreve para atar as pontas, também o faço eu, embora que pontas não saiba. E digo mais: escrevo com a pena do sadismo e a tinta da comicidade, não da galhofa e da melancolia - embora nunca as descarte. Vai, então, caros cinco leitores, amigos ou inimigos (sabe-se lá!), um poema que há tempos me veio. Não tem pretensões nenhumas - muito menos aquelas que rezam a boa versificação. É, sobretudo, um exercício de estilo tosco, que nem chamar a atenção almeja.
Au revoir.




Vênus


"Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?"
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Para V. e Dona Ruth.



Como a minha Vênus
nenhuma outra há.
Essa deusa manca
Coxeia silêncios.

Uma Anadyomène
rainbowdiana.
L'étoile infinie:
Soberano ânus.

Literária musa,
Pinta palavras,
A vênus ruim,
Vastas unhas rosas.
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De umas largas curvas
Estende uns braços.
Horizonte em flor:
As pernas em arco.


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Curto, mais triste ainda.

Não, não temos figurinhas, nem poeminhas, nem relatório, nem nada.
Vai o que aí está: Curto, Triste.


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"À la fin tu es las de ce monde ancien."
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"Suporta-se com paciência a cólica do próximo"
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"Creiam-me, o menos mal é recordar; ninguém se fie da felicidade presente; há nela uma gota da baba de Caim."
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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Obtusa


A questão de quê,

aquela de tudo;

A que não se vê,

tem efeito surdo?


A questão de tal,

aquela de um não;

A que quase um mal,

tem efeito tão?


A questão será

a de se mirar;

E a que valerá,

Convergenciar.



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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Borra

" Café diluído sobre solo", Miro Soares (2004).
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Vale dizer que é da tradição árabe (em seguida francesa e italiana) ler a borra de café em busca de previsões. " Je veux être poète, et je travaille à me rendre Voyant" (Rimbaud).
Nunca se sabe, verdadeiramente, na borra, e na poesia, que porra.

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no pau a falta da porra

no osso o tanto de tutano

do poeta um gozo mundano:

tinta palavra borra
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