Que Machado houvesse, nas suas Memórias Póstumas de Brás Cubas, não se admirado dos prováveis cinco leitores é coisa que consterna. Entretanto, o que admira e consterna é que, neste ano do centenário de morte do bruxo do Cosme Velho (neste machadiANO, com minhas desculpas pelo trocadilho imbecil!), esse meu poe-post possa vir a ter mais do que cinco fiéis leitores.
Assim como Bentinho, o Casmurro, escreve para atar as pontas, também o faço eu, embora que pontas não saiba. E digo mais: escrevo com a pena do sadismo e a tinta da comicidade, não da galhofa e da melancolia - embora nunca as descarte. Vai, então, caros cinco leitores, amigos ou inimigos (sabe-se lá!), um poema que há tempos me veio. Não tem pretensões nenhumas - muito menos aquelas que rezam a boa versificação. É, sobretudo, um exercício de estilo tosco, que nem chamar a atenção almeja.
Au revoir.
Vênus
"Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?"
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Para V. e Dona Ruth.
Como a minha Vênus
nenhuma outra há.
Essa deusa manca
Coxeia silêncios.
Uma Anadyomène
rainbowdiana.
L'étoile infinie:
Soberano ânus.
Literária musa,
Pinta palavras,
A vênus ruim,
Vastas unhas rosas.
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De umas largas curvas
Estende uns braços.
Horizonte em flor:
As pernas em arco.
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